Na ausência de notícias negativas em dia de agenda praticamente vazia, os mercados brasileiros mantiveram o tom positivo da segunda-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) marcou o quarto dia seguido de valorização. O dólar confirmou o rompimento da linha de R$ 1,80. E os contratos de juros futuros perderam prêmio de risco.
Na Bovespa, as compras foram generalizadas, mas não tiveram força suficiente para impulsionar o índice para cima dos 68 mil pontos, que, para os grafistas, representa importante barreira. Ao fim da jornada, o índice apontava 67.779 pontos, aumento de 0,82%. O giro somou R$ 6,68 bilhões.
Para o diretor de operações da Hera Investment, Nicholas Barbarisi, ao não conseguir romper a resistência dos 68 mil pontos se acende uma luz amarela no mercado, pois, toda a vez que o mercado chega a esses patamares de preço, os agentes tendem a embolsar ganhos recentes.
No entanto, lembra o especialista, caso essa linha seja ultrapassada e confirmada, o índice pode ir buscar, novamente, os 70 mil pontos.
Análise gráfica da Itaú Corretora aponta que o mercado ruma para a casa dos 70 mil pontos, com resistências intermediárias aos 67.620 pontos, já superados, e 68.120 pontos. No caso de baixa, os suportes estão aos 66.500 pontos e 65.920 pontos.
No curto prazo, nota a corretora, o índice segue com tendência de alta, mostrando espaço para buscar objetivos imediatos em 71.070 pontos e 74 mil pontos (máxima histórica). Já no longo prazo, o objetivo da alta ronda os 89 mil pontos.
Pelo lado dos fundamentos, Barbarisi aponta que o tom mais otimista dos últimos dias decorre da sinalização de ajuda à Grécia, que enfrenta uma crise fiscal, e da menor número de indicadores econômicos negativos sobre a economia internacional. " Mas o mercado vai precisar de fatos novos para continuar subindo " , ressaltou.
O que segurou um melhor desempenho do Ibovespa, que chegou a operar acima dos 68 mil pontos em parte do pregão, foi o mercado americano. No decorrer da tarde, os índices foram perdendo sustentação e o Dow Jones fechou praticamente estável (avanço de 0,02%), aos 10.405 pontos. O S & P 500 e o Nasdaq ganharam 0,23% e 0,32%, respectivamente.
No câmbio, as ordens de venda foram maioria nas mesas de operação durante todo o pregão. Com isso, o dólar comercial encerrou na mínima do dia, valendo R$ 1,782 na venda, queda de 0,88% sobre o pregão de segunda-feira.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar diminuiu 0,81%, para R$ 1,782. O volume caiu de US$ 143,25 milhões para US$ 116 milhões. Já os negócios no interbancário subiram de US$ 2,7 bilhões para US$ 3,3 bilhões.
O operador de câmbio da corretora Renascença, José Carlos Amado, assinalou que o mercado tem perdido força nos últimos dias principalmente com a saída dos investidores estrangeiros da ponta de compra.
" Eles estão desarmando posições, com a expectativa de um maior fluxo de entrada para o mês " , comentou.
Segundo o operador, dentre os fatores que contribuem para esta avaliação, estão a possibilidade de um acerto fiscal na Grécia, de um aumento da taxa básica de juros no Brasil neste mês e de lançamentos de ações no mercado doméstico, que podem trazer maior liquidez.
No mercado de juros futuros, os contratos voltaram a perder prêmio de risco. O sócio-gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, assinalou que a correção dos prêmios deu o tom do dia, tendo em vista as últimas declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Na segunda-feira, o ministro afirmou que o Brasil pode crescer a taxas próximas a 6% nesse ano sem gerar pressões inflacionárias, ainda que os preços no atacado e no varejo tenham vindo em alta nos primeiros dois meses. Segundo Mantega, é o " mercado quem está excitando a economia " , pressionando o Banco Central (BC) a elevar as taxas básicas de juros.
" O ministro está tentando mostrar que cumprirá a meta de superávit. Além disso, com os compulsórios, não vemos sentido para o BC se antecipar e subir os juros em março " , comentou Petrassi.
O sócio-gestor ressaltou que o indicador de atividade divulgado à tarde pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) também contribuiu para a correção dos prêmios de risco. De acordo com a instituição, o índice do uso da capacidade instalada ficou em 48,3 pontos em janeiro, abaixo do esperado para o período e na mesma faixa do fim de 2009.
" A conjuntura está levando à correção dos juros e a curva deve fechar ainda mais até a próxima reunião do Copom " , ressaltou Petrassi.
Ao fim da jornada na BM & F), o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2011, o mais líquido do dia, mantinha taxa de 10,45%. Entre os vencimentos deste ano, os contratos de abril também estavam estáveis, a 8,76%, enquanto o de julho recuava 0,02 ponto percentual, a 9,30%.
Entre os vencimentos mais longos, o DI de janeiro de 2012 cedeu 0,03 ponto, a 11,55%, enquanto os contratos dos primeiros meses de 2013 e de 2014 caíram 0,04 ponto e 0,06 ponto, a 11,94% e a 12,16% respectivamente.
Até as 16h15, antes do ajuste final de posições, foram negociados 492.295 contratos, equivalentes a R$ 44,136 bilhões (US$ 24,52 bilhões). O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 181.180 contratos, equivalentes a R$ 16,664 bilhões (US$ 9,257 bilhões).